Um grupo de pesquisadores capitaneados pela Profa. Brenda Rocha do IGc/USP e com participação do Prof. Valdecir Janasi acabam de publicar um estudo inovador na revista Geology sobre a duração do magmatismo ácido na Província Magmática Paraná e sua possível correlação temporal com o evento do Valanginiano.

O Estágio Valanginiano é marcado por um período de perturbação global do ciclo do carbono δ13C positiva e crises bióticas, que são chamadas de Evento Valanginiano (VE). Estudos anteriores tentaram correlacionar o vulcanismo da Grande Província Ígnea Paraná-Etendeka com o Evento Valanginiano.
No entanto, atualmente não há provas conclusivas para sustentar essa hipótese, uma vez que a idade e a duração da atividade vulcânica não são conhecidas com a precisão necessária. Neste estudo, revisou-se significativamente as escalas de tempo do magmatismo e do impacto ambiental da Província Magmática Paraná (PMP) no Brasil com novas idades de alta precisão U-Pb em zircão das sequências de baixo-Ti Palmas e alto-Ti Chapecó.
Os dados demonstram que volumes consideráveis de rochas vulcânicas ácidas de baixo-Ti da PMP extrudiram rapidamente em ca. 133,6 Ma com 0,12 ± 0,11 k.y. A idade da sequência de alto-Ti Chapecó da PMP central é revisada em ca. 132,9 Ma e, portanto, estende a duração da atividade magmática em ∼700 k.y.
As novas idades apresentadas no estudo são sistematicamente mais jovens do que as anteriores e são posteriores à principal excursão isotópica de carbono positiva, indicando que o magmatismo ácido da PMP não desencadeou o Evento Valanginiano, mas poderia ter contribuído para estender sua duração.
Dentro da estrutura da coluna estratigráfica da PMP, os primeiros basaltos de baixo-Ti poderiam ter sido responsáveis pelo Evento Valanginiano se eles forem pelo menos 0,5 m.y. mais velhos do que as rochas vulcânicas ácidas de baixo-Ti aqui datadas.
