Projeto de Perfuração da Amazônia é destaque em exposição virtual da FAPESP

Imagem de abertura da exposição virtual "Ciência na Amazônia" / Crédito: Centro de Memória FAPESP

Mostra multimídia aborda 60 anos de ciência no bioma

Publicado em 12/11/2025 / Por Adriana Farias

Após um ano de trabalho, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) lançou neste mês a exposição virtual “Ciência na Amazônia: história, desafios e descobertas” um panorama de pesquisas científicas realizadas na região amazônica ao longo de mais de 60 anos. A iniciativa, hospedada no site do Centro de Memória da FAPESP, reúne materiais iconográficos, áudios, depoimentos e textos que evidenciam a diversidade de temas que vão desde a zoologia pioneira até a geologia profunda e as ciências sociais aplicadas à floresta. Clique aqui e acesse (https://centrodememoria.fapesp.br/exposicoes/ciencia-na-amazonia/)

No contexto do crescente interesse mundial pela Amazônia como laboratório natural de biodiversidade, ciclo de carbono, mudanças climáticas e transformação territorial, a exposição surge em meio a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), que ocorre entre 10 e 21 de novembro em Belém, no Pará. A obra promove reflexão e debate  sobre a importância da pesquisa científica na região e sobre os impactos das atividades humanas na floresta.

Arquivo geológico: perfurando o passado da floresta

Um dos destaques da mostra está no capítulo 3 “A transformação da floresta” em que são abordadas as pesquisas geológicas que investigam o “arquivo” enterrado da Amazônia. O Projeto de Perfuração Transamazônica (Trans-Amazon Drilling Project, ou TADP, na sigla em inglês), apoiado pela FAPESP, busca entender a origem e a evolução da amazônia e do clima da América do Sul tropical. É também estudar como a formação geológica do bioma contribuiu para que a região se tornasse a de maior biodiversidade no mundo. Clique aqui e acesse (https://centrodememoria.fapesp.br/exposicoes/ciencia-na-amazonia/capitulo-3/)

Sob coordenação do geólogo André Sawakuchi, do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo (USP), o projeto realizou perfurações inéditas de testemunhagem contínua de sedimentos e rochas sedimentares no subsolo de duas regiões amazônicas no norte do Brasil entre 2023 e 2024. Na cidade de Rodrigues Alves, no Acre, atingiu 923 metros de profundidade, e em Bagre, na Ilha do Marajó, alcançou 924 metros, ambos correspondendo a registros que remontam a cerca de 25 milhões de anos. Quanto mais profundo o sedimento, mais antigo ele é.

A partir desses testemunhos será possível analisar traços como pólen antigo, fósseis, sedimentos transportados por rios, evidências de mudanças climáticas, e variações de vegetação e solo para entender como a Amazônia chegou ao estado atual.

A perfuração profunda da Amazônia abre janelas para se entender sobre várias questões estratégicas, como por exemplo, a evolução da floresta diante das mudanças climáticas; de que modo a estrutura geológica (solos, rochas, sedimentos) influencia tipos de vegetação, biomas ribeirinhos e a dinâmica dos rios amazônicos e quais lições podem vir da “história enterrada” para orientar a conservação da floresta diante do aquecimento global. Como o próprio Sawakuchi afirma: “biodiversidade também influencia o clima, também molda os ambientes”.

Praça de sondagem do TADP em Bagre, na Ilha do Marajó, no Pará / Crédito: Carlos Mazoca

Um experimento científico e logístico

O TADP é também um testemunho da complexidade de operar em uma região como a Amazônia: meses de trabalho de campo, mobilização de equipes de perfuração, logística fluvial, acampamentos, coleta contínua, turnos de 12 horas, transporte de amostras para laboratórios nacionais e internacionais.

Esse tipo de ciência “pesada” envolvendo perfuração, geofísica, análise de sedimentos mostra como a Amazônia não é apenas floresta “verde em cima”, mas também um imenso repositório da história da Terra, e como conhecê-la em profundidade exige tecnologia, articulação institucional, financiamento e sensibilidade socioambiental.

Sobre o Centro de Memória FAPESP

O Centro de Memória FAPESP foi lançado em maio de 2024 com a missão de resgatar, documentar e divulgar a história da pesquisa e o legado de pesquisadores que contribuem para o avanço da ciência em São Paulo. A primeira exposição organizada pelo centro foi sobre o projeto Genoma, inaugurada em maio de 2024, e a segunda é a “Ciência na Amazônia”. A FAPESP apoia pesquisas na região, acima e abaixo do dossel da floresta, desde 1962, e a primeira delas foi a “Expedição Permanente” de Paulo Vanzolini, documentada no primeiro capítulo.

A exposição levou cerca de um ano para ficar pronta, entre elaboração e conclusão do roteiro, entrevistas (gravação e edição), busca de materiais, edição de textos, desenho do site e avaliação e aprovação da direção da FAPESP. Confira no link https://centrodememoria.fapesp.br/exposicoes/ciencia-na-amazonia/

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